Saturday, August 08, 2009

a grande arvore da espera




seresfera
sempresperar
esperar, errar
sempre esfera
esperar


o pranto
como flor na terra

esperar

percorrer o olhar

ao longo do caule, no corrego das chuvas


será?


lançar razões
nas entranhas da terra
penetrar
esperar sempre
esperar

arar preparar
germinar?


sempre esperar
buscar, duvidar,
calar na boca a palavra
(sufocar)

esperar
tecer o tempo ,
sempre - o dia de perdoar
recriar,
a hora H






Friday, May 01, 2009

O primeiro dia segundo Gardan


A noite não foi tão longa, como todas as noites em que o sono é profundo e a alma agasalha o coração menino no colo do tempo.

Quando o dia chega, acompanhando luzes , pássaros aquáticos e peixes alados fazem a festa da serenidade. Ao pé da frondosa mangueira, olhos negros acordam e vislumbram pela primeira vez, o reflexo que a luz do sol desenha na superficie tranquila do belo rio.

O atonito menino espreguiça a incredulidade , fitando surpreso a outra margem do rio pleno de fertilidade. Desce a ribanceira extasiado e o silencio toma conta do todo. Tenta ajoelhar para tocar restos de remanso aparente do rio, quando surpreendentemente um grande peixe prateado salta espalhando agua e sementes. " O que importa essa saudade principe azul, se nem ao menos você conhece a outra margem deste tortuoso rio?" Gardan abre seus enormes olhos negros e responde em puro reflexo - " Grande peixe prateado, sinto saudade do que não conheço e do que me espera. Aguardo o momento oportuno, a maneira correta de atravessar o rio, necessito urgente de ajuda". Foi apenas o tempo do salto e a poderosa queda n'agua - e o silencio se fez brisa como o açoite na mão do verdugo. Gardan chorou e depois sorriu, um sorriso pleno de saudade.

Foram dez longos dias - nada além rio, nada além correnteza , apenas o receio do desconhecido.

" Sera nescessário descobrir os caminhos que a velha cidade disponibiliza, antes mesmo de tentar atravessar o poderoso rio?" pensou Gardan.

Tuesday, April 21, 2009

no caminho da espera



E o verão não vem,

basta-me a chuva fina...

O que amedronta? A incerteza do inatingível encontro?
A porta está aberta, não existem trancas.
Apenas o vento acaricia minha cabeleira branca.

Dedos longos (bilros) tecem rendas com palavras.

Assim espero, pois frequento diariamente teu jardim - a fome de pétalas rubras,
faz do jardineiro um colecionador de sementes.

A canção do visitante embala agora a minha/tua rede vazia.

Sunday, April 12, 2009

O Nascimento de Gardan



No entardecer de um dia diferente, luzes douradas
despejam uma canção de boas-vindas
próximo a garganta infinita do Paracauary...

São sementes de esperança em permanente flutuar sobre aguas límpidas.
Talvez adivinhem que serão outros os caminhos em busca de lições perenes.
Da janela do velho casarão olhos curiosos espreitam três estrelas que surgem repentinamente, acima da vizinha cidade.
E a estrela do meio diz, através de um sussurro penetrando frestas - janelas, separando inocentes meninos no fim da tarde:
“como são velozes os minutos na noite que pretende ser eterna, abriga sonhos, felizes momentos em que a fantasia canta uma canção bem-vinda. Ali estarei esperando, feito luz, escondido nos escaninhos de teu sorriso Monalisa.
Acolhe-me agora, não hesita, o tempo é o imperador da vida.Lembra das àguas límpidas, aquelas que cruzaram os rios na livre manhã despercebida .
Oportunamente estarei dizendo de tempestades em teus ouvidos - o beijo silencia - longe a saudade permanecerá, caindo lentamente, pelo fio de areia fina da ampulheta.”
Assim nasceu Gardan aos 10 anos, ao pé solene de uma frondosa mangueira - fruto de uma experiência inusitada na busca pelo conhecimento entre as margens de um estranho rio.

" As luzes do universo douram as asas graciosas das garças brancas, uma a uma sincronizam o vôo no caminho inicio fim da manhã diferente. Acordam de um sonho que não são dos homens."


Friday, March 13, 2009

Haja(in)


(in) veja

aja (in)


uma vez,
que a tempestade cega


apedrejando ,

a imagem noturna

buraco negro - que o teu espelho quebra


doma,
o indomável leão
que te aprisiona


ressucita,

pois a tua alma implora

a fenda entreaberta

no sepulcro


neste pequeno (eu) mundo - mudo

crucificas
na distância,

as ovelhas desgarradas


sou o rio

contido em tua barragem

silenciando o agora farto ódio


medita , abre as comportas

pois o silencio é a voz do tempo




Monday, March 09, 2009

uma canção do sair

Querido filho, O Céu contém nuvens, que a cor pesada do dia declara,e o meu pensamento viaja de encontros aos teus olhos, viajo contigo todas as horas-divirto-me, aprendo com a tua voz liberta, mas da vidraça do meu escritorio escorrem gotas de chuva - porém meu coração te abraça feliz ,sou grato pela coragem de tuas palavras - elas as vezes queimam na alma , esta é a fogueira da vida, beijando o silencio na superficie do meu chão gelado ,sairemos sim, como aves de corajem pelos caminhos da felicidade... Agradeço pelo teu e-mail. Um grande beijo meu amigo, Te amo

Sunday, March 01, 2009


aguas

cortinas da limpeza viva

não são grades, não te aprisonam - libertam a alma

liquifazendo os sonhos malditos...


o lenço da saudade mítica

desbloqueia - a flor da psique

e os nossos pássaros brancos ganham o céu

famintos da luz


ainda existe a dúvida

pois o emocional canta uma canção felina

por entre o bambuzal terreno - raízes


mas, por um minuto

o tapete mágico deixa de conduzir a silenciosa razão


We are the same boat shipping on the river alone



Você é você
Olhe no espelho
Será que o teu reflexo insinua o que transparece ?
Somos parte do mesmo rio – navegando sozinhos
Nem tão profundo , nem tão raso – nem tão pouco superfície
Você é Você
Solidão que te aprisiona
Algemas de aço – fitas de fragilidade
Ainda assim, encontrarás perdão na minha culpa
E a liberdade, tua companheira
Estará sorrindo no desfiladeiro oculto – o ósculo íntimo na alvorada
Você é você
Herói transmutando-se em máscaras e mariposas cinzas – fantasmas
A marca indelével no rosto secular da eternidade
Ainda assim, nós teremos um encontro marcado
tempo - apenas uma porta aberta a procura da margem absoluta
Você é você
Combatendo nossos medos
Na felicidade de teus olhos castanhos semicerrados,
Sabedores de que o vento sopra a poeira da sabedoria – apesar do fog Londrino
Juntamente com a misericórdia , chega a brisa do teus sussurros inaudíveis
tocando profundamente o largo de um homem aprendendo
a hora exata de silenciar , convidando o menino a também ser parte
do todo , do nada, da vida

Friday, October 12, 2007

a canção perene do homem da calça azul



a velocidade cerca os passos, pesa
na hora que o tempo urge, canção da verdade

e a verdade nasce esquecida,
pois não há ouvidos alertas
para quando a folha sente o vento
e sai a procura do tempo...



a calça azul balança no varal da vida , hiberna
tal qual a biruta apontando a direção de um olhar

no infinito - homem emoldurado na janela , solicita


pois a calça azul vazia,
abraça o vento - estabelece regras




uma vez que o homem nu, sente a medida certa, que limita
pois o navegador - sonha com a passagem estreita


a passagem estreita
impermanente sopro de velas e fitas
aquecendo a verdade (no útero da espera)
assim azul, a calça
levita












Wednesday, August 08, 2007

passagem


muros

a linha lavadas palavras (grafitos)

predizem sentenças - avisos afixados


nas cavernas - morcegos

são explosões de vertiginosas mensagens


o teu coração ainda é puro?


a chuva - lava o olhar atento

no salpicar de gotas

que leva mansamente, o barco de papel


muros

manuscritos

afixadas mensagens

viajam - nos barcos de papel


o vento, a chuva, a poça d'agua,

as pegadas - o nada eternamente


Monday, July 30, 2007

linguas de morango

quando
a cor da tua lingua (morangos)

viaja na solidão da boca
da minha boca - a casa


destravam os dentes

estendem a liguagem perdida
e o amor visitante - convida


há força de um nervo ferino

afiada - lâmina espelhada


a cor da tua lingua (estrelas)

acorda, na noite que o céu predita

a fome que teu rosto esconde


acredita

na profundeza serena da verdade

que agora a cor da lingua - hesita
e que o mar secreto da mentira
habita


Sunday, April 22, 2007

caminhos de santiago


àguas barrentas , manhãs e tarrafas

ofício do olhar perdido no horizonte


peixes


entrelaçando raízes submersas

na razão do existir do pescador


mistériosa boca escura da noite - o sonho


o menino nasce

envelhece,

no

rosto veloz da

rua genética




o tempo cultua - o tempo



o tempo do menino

solitário que

a mesa

posta oferece,


são frutos d'agua


o aprendizado refletindo a superfície

no mais profundo obscuro


quando, percebemos a travessia

a fome chega - e a luz enfim apodera


a canção do vento insondável

que açoita nossa porta










Sunday, April 15, 2007

sete de maio


pai


o teu verde olhar, incompreendido

cabe como uma luva no meu sonho

somos elo, arcabouço e distância


agora não desvio teu sorriso

aceito, como o oceano aceita o rio - conhecimento

sinto o roçar da barba por fazer

e o unipresente silencio da tua mão falando


o tempo frutifica a torre da memória - lava

a fome chega, e o alimento farto do ensino

corrige o curso do caminho ,

debruçando o olhar na bússola perdida


a oração da noite é página de um livro

sem letras, de uma brancura serena - canção de ninar

ouço estórias na escuridão dos candieiros - refletidas

no fogo do vagalume , ponto de luz no dedo do extraterrestre

apontando teu colo , o qual ainda pertenço


na lembrança

trilhos conduzem a distantes estações

algumas delas, sei

que o teu sorriso doce,

são braços na espera


asas

na escuridão


Friday, April 06, 2007

eternamente o mar - mistérios


na minha bike a estrada de terra serpenteia, foge de meus pés velozes

ânsia de presenciar o fenômeno do mar vermelho - quero eternizar o momento

o mar avermelhado amedronta - aprisiona mistérios de superficie

enquanto o homem europeu adormece no cobertor que o sol dispõe

a face embriagada do sofrimento escondido nos homens - o ópio - as formigas famintas

nada desperta o estrangeiro - pois agora o mistério carmin, segue a correnteza que tudo limpa.

o dia normal chega lentamente, com seus peixes respirando água - observando os senhores da vida

Tuesday, April 03, 2007

a voz de abril

quando a boca abre, o sono chega envolto em quebranto - o canto - solitário da permanência santa. A voz do homem, cruza a varanda, filosofando a brisa de um pensamento uno - universal. A salvação racional do homem sagrado, enevitável - a ponte que transporta ao lado pleno de um novo/velho destino, pois tudo que existe , já existiu. Tudo que hoje é dito concreto, foi sonho e tudo que é sonho, nada mais é, do que pedra mármore envelhecida. Quero então possuir a simplicidade do amor sem véu, desprovido da religiosidade que destrói a vida - quero o cisne sem a morte, pois o que importa agora é o presente. Quero a leveza , sem o dever de amar por ser a criatura e ter a obrigação de reverenciar o misterioso monolíto.

Sunday, March 18, 2007

matrix


a linha luz da manhã descobre o passo, libertando o poder do caminho urbano - meninos malabaris dormem em seus colchões de pedra, alheios aos que passam, embriagados em seus sonos entorpecido pelo cheiro da cola - a mágica do faz de conta envolve o guarda de transito com seu apito noturno na manhã que cede conflitos - abraços , mangueiras , camelôs, latas de cerveja e garrafas sem alma. A cidade acena para felicidade de consumo, cobra a taxa da sedução efêmera e se lança a procura dos incautos - hoje quero apenas comprar e descascar meus abacaxis e beber o suco dito saudável com hortelã, que o programa de TV ensinou-me fazer. Não despreze as moedas, pois elas são ticktes que voces precisam entregar nos estacionamentos das ruas.

Saturday, March 03, 2007

porta aberta

a noite inteira, a porta
aberta a porta, à noite
ficou a noite - aberta
a porta, a noite inteira
a noite aberta
ficou a porta
ficou a noite
aberta

Tuesday, February 20, 2007

carnaval do silencio




hoje a chuva permacece fina, incontrolavelmente fina, silenciosa. Adormecendo a avenida da cidade morena. De quando em vez, um auto modifica o desenho da rua liberta, riscando a superficie serena do asfalto adormecido. Não há cofetes nem serpentinas, o carnaval passa em outros fevereiros - a triste tarde/noite é agora absurdamente feliz - estou feliz, consegui reabilitar meu blog perdido (meu cão vagabundo) das teias da net. Amanhã ? Amanhã será outro dia... e todos os silencios barulhentos se converterão em loucura.

Saturday, January 13, 2007

a força da gravidade

a folha olha
a distancia

rodopia
suspira, desacelera
ansia de encontro

a folha agora amarela

encontra o chão
encontra a manga
encontra a chuva
encontra o homem

a cidade anda, nela
a folha vive
desperta
de seu sonho verde

o chão de pedra

recebe a folha
recebe a manga
recebe a chuva
recebe o homem

a cidade não pecebe

que a folha agora
vive
a vida

da manga
da chuva
do homem

frutos do solo

Friday, January 12, 2007

" se não se aprende não se é"

a pluma
mão silenciosa que acarícia
diz de riscos asas e destinos
segurando por entre dedos a semente imatura

e este pó que desaparece na neblina
sopra no rosto a vigilante sorte - fortuna

basta a imagem no horizonte, aurora boreal
febril e misteriosa luz esverdeada, sinalizando
jardins suspensos - visões de ruas distantes

diamante bruto escondido - fruto preferido
são as nozes, que roubamos das prateleiras dos supermercados - proibido
e o dente solto que perdido, na concava escuridão de minha boca
revitaliza reflexões de sonhos vividos - direções

humano sou
e aí ? como é que fica?
as seduções que o inexorável tempo criva?

o que importa é fixar os olhos na vitrine
e esperar que a imagem do onibus refletida - siga
na velocidade da loucura abduzida