Monday, July 30, 2007

linguas de morango

quando
a cor da tua lingua (morangos)

viaja na solidão da boca
da minha boca - a casa


destravam os dentes

estendem a liguagem perdida
e o amor visitante - convida


há força de um nervo ferino

afiada - lâmina espelhada


a cor da tua lingua (estrelas)

acorda, na noite que o céu predita

a fome que teu rosto esconde


acredita

na profundeza serena da verdade

que agora a cor da lingua - hesita
e que o mar secreto da mentira
habita


Sunday, April 22, 2007

caminhos de santiago


àguas barrentas , manhãs e tarrafas

ofício do olhar perdido no horizonte


peixes


entrelaçando raízes submersas

na razão do existir do pescador


mistériosa boca escura da noite - o sonho


o menino nasce

envelhece,

no

rosto veloz da

rua genética




o tempo cultua - o tempo



o tempo do menino

solitário que

a mesa

posta oferece,


são frutos d'agua


o aprendizado refletindo a superfície

no mais profundo obscuro


quando, percebemos a travessia

a fome chega - e a luz enfim apodera


a canção do vento insondável

que açoita nossa porta










Sunday, April 15, 2007

sete de maio


pai


o teu verde olhar, incompreendido

cabe como uma luva no meu sonho

somos elo, arcabouço e distância


agora não desvio teu sorriso

aceito, como o oceano aceita o rio - conhecimento

sinto o roçar da barba por fazer

e o unipresente silencio da tua mão falando


o tempo frutifica a torre da memória - lava

a fome chega, e o alimento farto do ensino

corrige o curso do caminho ,

debruçando o olhar na bússola perdida


a oração da noite é página de um livro

sem letras, de uma brancura serena - canção de ninar

ouço estórias na escuridão dos candieiros - refletidas

no fogo do vagalume , ponto de luz no dedo do extraterrestre

apontando teu colo , o qual ainda pertenço


na lembrança

trilhos conduzem a distantes estações

algumas delas, sei

que o teu sorriso doce,

são braços na espera


asas

na escuridão


Friday, April 06, 2007

eternamente o mar - mistérios


na minha bike a estrada de terra serpenteia, foge de meus pés velozes

ânsia de presenciar o fenômeno do mar vermelho - quero eternizar o momento

o mar avermelhado amedronta - aprisiona mistérios de superficie

enquanto o homem europeu adormece no cobertor que o sol dispõe

a face embriagada do sofrimento escondido nos homens - o ópio - as formigas famintas

nada desperta o estrangeiro - pois agora o mistério carmin, segue a correnteza que tudo limpa.

o dia normal chega lentamente, com seus peixes respirando água - observando os senhores da vida

Tuesday, April 03, 2007

a voz de abril

quando a boca abre, o sono chega envolto em quebranto - o canto - solitário da permanência santa. A voz do homem, cruza a varanda, filosofando a brisa de um pensamento uno - universal. A salvação racional do homem sagrado, enevitável - a ponte que transporta ao lado pleno de um novo/velho destino, pois tudo que existe , já existiu. Tudo que hoje é dito concreto, foi sonho e tudo que é sonho, nada mais é, do que pedra mármore envelhecida. Quero então possuir a simplicidade do amor sem véu, desprovido da religiosidade que destrói a vida - quero o cisne sem a morte, pois o que importa agora é o presente. Quero a leveza , sem o dever de amar por ser a criatura e ter a obrigação de reverenciar o misterioso monolíto.

Sunday, March 18, 2007

matrix


a linha luz da manhã descobre o passo, libertando o poder do caminho urbano - meninos malabaris dormem em seus colchões de pedra, alheios aos que passam, embriagados em seus sonos entorpecido pelo cheiro da cola - a mágica do faz de conta envolve o guarda de transito com seu apito noturno na manhã que cede conflitos - abraços , mangueiras , camelôs, latas de cerveja e garrafas sem alma. A cidade acena para felicidade de consumo, cobra a taxa da sedução efêmera e se lança a procura dos incautos - hoje quero apenas comprar e descascar meus abacaxis e beber o suco dito saudável com hortelã, que o programa de TV ensinou-me fazer. Não despreze as moedas, pois elas são ticktes que voces precisam entregar nos estacionamentos das ruas.

Saturday, March 03, 2007

porta aberta

a noite inteira, a porta
aberta a porta, à noite
ficou a noite - aberta
a porta, a noite inteira
a noite aberta
ficou a porta
ficou a noite
aberta

Tuesday, February 20, 2007

carnaval do silencio




hoje a chuva permacece fina, incontrolavelmente fina, silenciosa. Adormecendo a avenida da cidade morena. De quando em vez, um auto modifica o desenho da rua liberta, riscando a superficie serena do asfalto adormecido. Não há cofetes nem serpentinas, o carnaval passa em outros fevereiros - a triste tarde/noite é agora absurdamente feliz - estou feliz, consegui reabilitar meu blog perdido (meu cão vagabundo) das teias da net. Amanhã ? Amanhã será outro dia... e todos os silencios barulhentos se converterão em loucura.

Saturday, January 13, 2007

a força da gravidade

a folha olha
a distancia

rodopia
suspira, desacelera
ansia de encontro

a folha agora amarela

encontra o chão
encontra a manga
encontra a chuva
encontra o homem

a cidade anda, nela
a folha vive
desperta
de seu sonho verde

o chão de pedra

recebe a folha
recebe a manga
recebe a chuva
recebe o homem

a cidade não pecebe

que a folha agora
vive
a vida

da manga
da chuva
do homem

frutos do solo

Friday, January 12, 2007

" se não se aprende não se é"

a pluma
mão silenciosa que acarícia
diz de riscos asas e destinos
segurando por entre dedos a semente imatura

e este pó que desaparece na neblina
sopra no rosto a vigilante sorte - fortuna

basta a imagem no horizonte, aurora boreal
febril e misteriosa luz esverdeada, sinalizando
jardins suspensos - visões de ruas distantes

diamante bruto escondido - fruto preferido
são as nozes, que roubamos das prateleiras dos supermercados - proibido
e o dente solto que perdido, na concava escuridão de minha boca
revitaliza reflexões de sonhos vividos - direções

humano sou
e aí ? como é que fica?
as seduções que o inexorável tempo criva?

o que importa é fixar os olhos na vitrine
e esperar que a imagem do onibus refletida - siga
na velocidade da loucura abduzida

Saturday, January 06, 2007

discurso da memória

agua
a guariba agora agonia
no grito da semi-escuridão
o medo, esconde o eco do grito
e adormece o menino do rio - aflito
sonhos de coragem chegam em ondas permanentes
aguas - curvas umidades retorcidas - no tecido da floresta

existem trincheiras que protegem-palafitas
nas distâncias que o passado ressucita

e o verde - escuro musgo é o discurso da memória- exercício
que o rio barrento - escreve com letras ondas suaves,
uma estória que os homens não compreendem

agua
a boca escura acende uma luz na umida lingua
encontros das aguas - beijos - esconderijos

o amar do quase eterno mar espuma
agoniza coxas fecundas - que corpos plenos
eternizam

silenciosamente no vazio que a vida flui
nas margens serenas das manhãs

Sunday, December 31, 2006

a oração da doce simplicidade




o vento chega com uma voz de alegria
abro as janela e portas - frequento assim teus aposentos da sorte
a felicidade acompanha a tua visita, pois tua presença é frequente - eterna
convido-te e muitas das vezes não percebo que o convite é teu - sussurro de luz
agradeço pelo ano, pela liberdade de caminhar sorrindo e pelas pessoas que encontro
é tua face que vislumbro pelos out-doors que a natureza expõe sutilmente a minha alma

fotográfo a imagem mais bela e te escuto em tua arte perene
sutilezas - sabor do divino alimento - o qual saboreio diariamente - não recuso
seria muita desfeita e burrice - por isso trafego em teus pomares e hortas.

agradeço pelo prazer de percorrer caminhos sob a tua presença explícita
amando saber, que mesmo não compreendendo tudo - vislumbro a sabedoria de teu sopro
e assim sinto a verdade que não se impõe altaneira, mas de forma benigna - lucidamente

obrigado amigo - teu nome é simplicidade, leveza, harmonia.

amém

Sunday, December 17, 2006

Papai Noel é um palhaço disfarçado?

Fui ao shopping e pensei, papai noel é um palhaço disfarçado?. Esses palhaços nos pregam cada peça. È preciso sobreviver, e porque não unir o útil ao agradável? Os palhaços nos fazem sorrir o sorriso da infância desnuda, ao longo do ano. Nas calçadas, nos picadeiros da vida, nas praças e ruas assaltadas. Por que não no shopping? Por trás da longa barba branca vi Papai Noel de todas as raças e olhares. Num toque de mágica o nariz vermelho deu cores a indumentária do bom velhinho. Papai Noel faz o sorriso de atônitas crianças e pais que ainda querem acreditar no sonho fantástico(e precisamos - acreditamos em tanta coisa, por que não mais uma?). Esqueçam os que tiram proveitos da situação, sempre haverão os que não acreditam em sonhos e fantasias e mesmo assim, fingem que acreditam(o importante é faturar). Esqueçam os que fingem que acreditam( mas não os percam de vista) , eles estão em todos os lugares, nas Igrejas, no Congresso, negociando nossos vícios , incredulidade e perplexidade. Restou-me uma preocupação, como Papai Noel irá percorrer o Céu do Brasil com toda essa insegurânça? Fui ao shoppinge e pensei, Papai Noel é um palhaço disfarçado?

Tuesday, November 28, 2006

politicamente correto

Transmutando no olhar conluio
o camaleão ganha novas côres.
aperfeiçoa - imita o espaço - unifica
esconde-se no silencio da camuflagem.
politicamente correto reflete o óbvio,
espreita a prêsa, sem pressa- afere
a vítima - o pensamento adormece
e assim eterniza-se, escravo
em sua própria armadilha.

Monday, November 27, 2006

monolíto



>MEMOHOMEM<

O Homem surge
apenas Homem?

Próximo ao Centro

seu
céu

ou todas as coisas tornam-se religiosamente suas?

Pátria
Igreja
Ciência

A alma surge
apenas alma?

Próxima ao eco do Ego

Refúgio

ou todas as coisas tornam-se ludicamente nuas?

sentidos
caminhos
ruas

Tuesday, November 21, 2006

Los Hermanos chegaram lá


Novembro está sendo um mês interessante. O poeta apanha as suas tralhas e transforma-se no super esportista- XXII Encontro Nacional de Basquetebol Master rumo Natal capital do Rio Grande do Norte, by plane até Fortaleza (bela cidade) uma aventura no busão descortina paisagem agreste, bem diferente de um olhar verde amazônida. Do lado de fora em alta velocidade passavam mandacarus, jucás, cajueiros enfileirados e pequenos poços de petróleo(cabeça de cavalos mecânico no galope nordestino). Chegamos as 17 horas do dia 13 de novembro de 2006- a noite já esticava as pernas por sobre a cidade hospitaleira. Antes da rodoviária apanhamos o bus 43 e rodamos mais 40 minutos até a praia do meio - descemos e caminhamos 15 minutos pelo calçadão - enfim chegamos gente, ufa!-Natal Praia Hotel
Depois de muitas brigas , desavenças, circos montados os cincoentões "Los Hermanos" conquistaram a tão almejada medalha, num jogo memorável contra os Paulistas. Lembrei de 1969 quando pela primeira vez participei de uma excursão - escrito na frente do ginásio de esportes em São Luiz do Maranhão um trecho de um poema do poeta Gonçalves Dias " A vida é combate que os fracos abate, que os fortes os bravos só pode exaltar"- Companheiros, como diz o Pópó, chegamos lá - chegamos lá manos paraenses, a idade é apenas uma questão de... basquetebol bem jogado, na rua rio pleno de harmonia a hora inexorável acabou de ensinar- basta seguir Gardan e seus amigos pela larga estreita avenida de um caminho infinito- O mundo realmente é uma bola de basquetebol.

Friday, November 03, 2006

Amanhecendo em um dia qualquer de novembro

A poesia chega muitas das vezes em forma de oferenda, tijolo por tijolo na construção vertical das palavras doadas. Assim nasceu este poema, a idéia de alguém acordando seus sonhos e lançando intuitivamente por frestas, a voz interior dos inocentes (nem tanto) seres das noites bem dormidas. Agradeço a você minha irmã Ianê, pelo diamante a mim ofertado ao som de uma caixinha de música e sua balarina (você). Esta poesia é nossa(e agora do mundo).
No início era o verbo
mas a noite se foi
(com angustia)
refugiar-se nos
bolsos da calça jeans
dependurada nos sss
dos suspiros vincados
no travesseiro
Então fez-se luz
flash
adormecendo os
insetos
que bebiam meus
sonhos
sonhos que se
escondiam
nos bolsos do blusão
jeans
e o dia penetrou
por entre coxas e
frestas
e todas as coisas que
dormitavam
escorreram pelos
olhos
da janela viva

Saturday, October 28, 2006

No tempo que Gardan voava...


No tempo que Gardan voava com asas de vento, sopravam sonhos. Viagens que sabiam de velas azúis marinho, garotos afortunados e sem riscos noturnos. Assim era a cidade das mangueiras de bons frutos e campainhas acionadas para o desespero dos moradores das ruas de paralelepípedos. Avenida Generalissímo, Braz de Aguiar, São Jeronimo , Praça Brasil caminhos que conduziam passos leves e risonhos. No tempo que Gardan voava éramos heróis e tinhamos a certeza de nossa eternidade.
Na foto captada em preto e branco, os anjos são azúis em 1965.

Saturday, October 21, 2006

através do furo no escuro

TENTAÇÃO

no amanhã vi
um furo n(o) muro

olharei através do furo
escuro do muro?

futuro

ontem deixei de olhar
o olhar do furo

Sunday, October 15, 2006

a luz na tarde cinza


Através da janela do carro emoldurada tarde cinza surpreende, tece com fios de luz sua serenidade. Não pude resistir e convidei minha imprudência para um clic em movimento, transgressão em ritmo de velocidade. A poesia da foto imaginada e revista em lapso de tempo, tornou-se fato - sensibilidade - desculpem, mas o acaso brindou-me com o sussurro da eternidade.

Vem
Traz o sono leve o sonho breve

(quando todas as portas fecham)

Talvez existam janelas entreabertas
ancoradas em nossas noites

Vem
o campo é santo
e as abelhas passam zumbindo
em busca de flores perfumadas

Mesmo que os sinos soem
anunciando o pouso

Mesmo que seja outono
e as folhas dormitem
antigas ilusões em nosso peito

faz dessas estranhas colméias
o doce abrigo da espera

camas, olhos, caminhos ...

Vem
e beija a superfície d'alma
neste toque delicado de libélula