a mão
que cabe
na minha mão
é a do meu filho
pois não deixa
que eu alcance o sabre
não aponte o dedo em riste
ou alimente a dor da fome
a mão
que cabe
no meu coração
é a do meu pai
pois não
deixa que eu alcance o erro
não aponte o rumo incerto
ou alimente a dor no peito
a mão
que cabe
no meu pensamento
é a da minha mãe
pois não deixa
que eu esqueça as letras
não abuse de palavras rudes
ou alimente a ignorância
a mão
que cabe
no meu destino
é da esposa
pois não deixa
que eu esqueça as preces
que acumule duvidas
ou alimente o medo
a mão
do filho
do pai
da mãe
da esposa
a mão do todo
Wednesday, February 26, 2014
Tuesday, December 31, 2013
Holograma
a chuva chega
banhando a calçada,
revelando uma outra palmeira
aquela que talvez não exista,
talvez não resista
ao forte calor da tarde
agora , frutifica no silencio de um sonho
escrevendo no chão, suas raízes
profundas
este também é o meu,
o teu espelho?
somos a imagem de nós mesmos,
verticalizando o inexplicável ?
reflexões de uma tarde úmida em Belém
na Estação das Docas, na Estação das Chuvas
banhando a calçada,
revelando uma outra palmeira
aquela que talvez não exista,
talvez não resista
ao forte calor da tarde
agora , frutifica no silencio de um sonho
escrevendo no chão, suas raízes
profundas
este também é o meu,
o teu espelho?
somos a imagem de nós mesmos,
verticalizando o inexplicável ?
reflexões de uma tarde úmida em Belém
na Estação das Docas, na Estação das Chuvas
Friday, November 08, 2013
a visita
a chave congelada
é lançada
sobre a palma da mão
do visitante
pródigo
sem
a presença real
da sentinela oculta
o dia inicia frio
com o aceno do atrás
da porta
vazio
e a fuga punitiva
torna-se culpa
beijo inacabado
impreciso
sem o sabor
do hálito
a sentinela
oculta
oculta-se
ainda mais
cobre-se com
o cobertor
que envolve
o corpo sem toque
este é seu prazer...
fecha-se
atrás de sua alma porta
e busca
a submissão da visita
usando como açoite
o olhar vazio
o abraço vazio
o corredor vazio
enquanto o visitante
suplica,
aguarda,
que a doce palavra
frutifique
alcançando os degraus,
sem o peso,
de seus pés
vazios
Sunday, August 18, 2013
Revelação
vejo
o som do tom
do batom , morto
na gola da blusa
sorrir
no olhar atônito
da mulher muda
o batom são lábios
líbios,libaneses
frutos de uma boca oca
fotografia - toque - sentimento
aceno de traição
surda
e assim
o pensamento vaga
vagalume, onda
no código de barra
do beijo em desalinho
selo carmim
o batom karma,
Kama Sutra , mancha
açoita a paz
antes absoluta
o batom karma,
Kama Sutra , mancha
açoita a paz
antes absoluta
qual a cor do batom
deixado pela marca,
do beijo de judas?
Saturday, July 27, 2013
ouro de tolo
a moeda ouro
pela metade
metade cofre
metade sua
esconde a fome
que há na rua
na moeda fria congelada
que apodrece o homem
que não se curva
que não se cansa
que não se cura
pela verdade
pela metade
metade cofre
metade sua
esconde a fome
que há na rua
na moeda fria congelada
que apodrece o homem
que não se curva
que não se cansa
que não se cura
pela verdade
Friday, April 19, 2013
Face
o
olho
atende
acende
a minha
voz
na tela
cibernética
fria
que olha
a rua passando
como posso esconder
roupas sujas
no divã?
o olho
tece
destece
fotos
nas janelas
net
e pendura
como verduras
em feiras urbanas
restos apodrecidos
sobre os paralelepípetos úmidos
de ruas estreitas,
olhos estreitos,
vidas estreitas,
mentes estreitas.
e
o olho
acende
seu rancor
ferve
serve
de farol
neste mar de incertezas
como esconder
pirulitos
sob lenços de papéis sonolentos?
com certeza
formigas serão
atraídas
por trilhas químicas
não tenho como
me defender
xeque-mate
estou sozinho nas ruas de Boston
olho
atende
acende
a minha
voz
na tela
cibernética
fria
que olha
a rua passando
como posso esconder
roupas sujas
no divã?
o olho
tece
destece
fotos
nas janelas
net
e pendura
como verduras
em feiras urbanas
restos apodrecidos
sobre os paralelepípetos úmidos
de ruas estreitas,
olhos estreitos,
vidas estreitas,
mentes estreitas.
e
o olho
acende
seu rancor
ferve
serve
de farol
neste mar de incertezas
como esconder
pirulitos
sob lenços de papéis sonolentos?
com certeza
formigas serão
atraídas
por trilhas químicas
não tenho como
me defender
xeque-mate
estou sozinho nas ruas de Boston
Sunday, March 24, 2013
no caminho de casa
na esquina,
cruzando semáforos velozes ,
a fumaça eterna , açoita teus olhos.
longe da fome das marés dos meninos esquecidos.
ferindo frases confortavelmente,
sento e seduzo através da iris embaçada da sala - cubro,
as paginas do livro esquecido sobre a mesa posta,
amarrotada - como mensagens embrulhadas ,
desditas na rua.
quando nada é tão perfeito, navego
no aceno brando,
deixando a proteção aparente do lago sereno,
para que nada seja possível esquecer.
pelo menos encontro,
face a face ,
o fio da lâmina - afiada
com o suor do rosto úmido,
cicatrizado ,
transporto apenas o fio fino da teia, ao rosto marmorizado
e privo os sentidos
da chuva ácida de tuas palavras verdes,
sublinhadas.
acelero,
e a porta semi-aberta da tua alcova,
emoldura, na faixa branca do asfalto
mangueiras perfiladas.
finjes não perceber...
cruzando semáforos velozes ,
a fumaça eterna , açoita teus olhos.
longe da fome das marés dos meninos esquecidos.
ferindo frases confortavelmente,
sento e seduzo através da iris embaçada da sala - cubro,
as paginas do livro esquecido sobre a mesa posta,
amarrotada - como mensagens embrulhadas ,
desditas na rua.
quando nada é tão perfeito, navego
no aceno brando,
deixando a proteção aparente do lago sereno,
para que nada seja possível esquecer.
pelo menos encontro,
face a face ,
o fio da lâmina - afiada
com o suor do rosto úmido,
cicatrizado ,
transporto apenas o fio fino da teia, ao rosto marmorizado
e privo os sentidos
da chuva ácida de tuas palavras verdes,
sublinhadas.
acelero,
e a porta semi-aberta da tua alcova,
emoldura, na faixa branca do asfalto
mangueiras perfiladas.
finjes não perceber...
Thursday, March 14, 2013
poema para o dia em expansão no tempo
ontem, no hoje
no sempre dia
é na noite que
o pó, tecido
enlaça a vida
transformando
o sim no não
o não no sim
eternecendo assim,
o genoma
poesia
no sempre dia
é na noite que
o pó, tecido
enlaça a vida
transformando
o sim no não
o não no sim
eternecendo assim,
o genoma
poesia
Sunday, March 10, 2013
Buraco Negro
deixo o travesseiro dormindo, o mesmo sono
e deito a cabeça pesada em outros portões
liberto as libélulas para vôos rasantes.
na superfície d'alma
do som do sino
ouvido
O
sopro,
pleno e perdido,
do sino do som invertido.
tece o mistério no rosto do incompreensível
o mesmo sono, permanece no travesseiro sozinho.
e deito a cabeça pesada em outros portões
liberto as libélulas para vôos rasantes.
na superfície d'alma
do som do sino
ouvido
O
sopro,
pleno e perdido,
do sino do som invertido.
tece o mistério no rosto do incompreensível
o mesmo sono, permanece no travesseiro sozinho.
Sunday, January 13, 2013
Despejos
hoje alcanço
o olhar do Tigre em mim
a fuga de uma ocidental solução
para sonhos fluidos
desejos do poder absoluto
sejam eles rasos ou profundos
despejos
hoje alcanço
o encontro familiar no domingo
ensolarado, com flores no alpendre
conheçendo a tua fúria
que desperta o medo
e adormece o ramo de oliveira
por que me sinto muitas das vezes
o universo?
alimentando galáxias religiosas?
buracos negros?
agora não posso desperdiçar margarinas
em pães dormidos
quero apenas fixar o olhar nas estrela distantes
deitar ao teu lado
longe do dedo em riste - da soberba
hoje é tudo o que quero...
o olhar do Tigre em mim
a fuga de uma ocidental solução
para sonhos fluidos
desejos do poder absoluto
sejam eles rasos ou profundos
despejos
hoje alcanço
o encontro familiar no domingo
ensolarado, com flores no alpendre
conheçendo a tua fúria
que desperta o medo
e adormece o ramo de oliveira
por que me sinto muitas das vezes
o universo?
alimentando galáxias religiosas?
buracos negros?
agora não posso desperdiçar margarinas
em pães dormidos
quero apenas fixar o olhar nas estrela distantes
deitar ao teu lado
longe do dedo em riste - da soberba
hoje é tudo o que quero...
Sunday, December 02, 2012
Homo Simbolicus
taxiando o desconforto
ela me atinge
tipo de terrorismo sutil
reconto dividas
no silencio quase absoluto
culpo a culpa
a violencia urbana
o cálice de vinho do Porto
culpo a mim
a música distante
a maça podre
os gafanhotos do antigo Egito
o enxame de abelhas africanas
não tenho como sorrir do destino
noto a pulseira dourada em seu pulso
e a fita verde que avisa soluções para tudo
o relógio, a espada e a cruz submetem pessoas
são palavras servis - servindo a mesa abastada
prefiro a oração comedida - improvisada
pois os servos procuram Reis e Rainhas
que não sabem silenciar sozinhos
não tenho como beber no oásis que descortina
pois meus bolsos estão plenos de tua sede
e livres de tua vontade
Sunday, October 14, 2012
o aceno do ribeirinho
dias estranhos na palma da mão
soprados em beijos sutis
como palavras aranhas tecendo paredes
viajam invisíveis na rosa-do-vento
adormecida na superfície do rio
o rio,
a vara fincada por quem?
balança nervosa
pesadelos
o rio me diz de destino
e a criança em mim
sente medo
o olhar ralha
adormecido, tristonho
seguindo da popa
o aceno da vida
agora ligeira
mesmo sabendo
que o ritmo que finca
habita a margem
agora contendo
segredos
Monday, October 01, 2012
O Grupo Fundo de Gaveta participou do Encontro de Escritores Paraenses, na tarde desta quinta-feira (27), no auditório Dalcídio Jurandir, durante a programação da XVI Feira Pan-Amazônica do Livro. Na ocasião, a turma composta por Zéminino, Vasco Cavalcante, Jorge Eiró, Celso Eluan, Iru Bezerra e William Silva (Paulo Castro), relembrou e contou para o público presente a trajetória da equipe de escritores, que completou 30 anos de trabalho no ano passado.
“Nós surgimos nos anos 80, na época do saudosismo. Tínhamos muita energia para gastar e resolvemos gastar toda essa energia estudando, lendo e fazendo poesia. Criamos um grupo poeticamente pesado”, disse o artista plástico Jorge Eiró. Ele contou ainda que o Fundo de Gaveta fez parte de um tempo em que havia na cidade um movimento cultural em ebulição, com a movimentação de bares antigos e o início das oficinas de Miguel Chikaoka. O grupo se reunia semanalmente para ler e discutir, poesias, artes plásticas, novos lançamentos e etc.
Depois da experiência cada um foi tomando seu rumo, mas, para Vasco Cavalcante, até hoje o grupo permanece. “Fazer poesia todos nós fazemos em algum momento. A poesia é a única coisa que pode responder o questionamento de ser ou não ser. Então, a sensação que temos é que o Fundo de Gaveta ainda está vivo, mesmo que seja na memória”, completou.
A primeira edição do Fundo de Gaveta foi feita em 1981. Com os eventos realizados pelo grupo, padrinhos e diversas coletas saíram os recursos para o projeto que fez com que os trabalhos literários virassem páginas de livros. “Fizemos o lançamento na Casa do Choro e as coisas fugiram ao controle. Havia os varais de poesia na praça do Carmo e na praça da República. Saía-mos com os envelopes debaixo do braço e a edição era graficamente tímida, até pelos poucos recursos", contou Eiró, um dos responsáveis pela produção gráfica da publicação.
Eles também relembraram a participação do “Movimento Açaí”, uma época em que a sociedade paraense tinha vontade de mostrar, falar e agir de uma forma que não podia ser feita no período da ditadura. “O que sai do Fundo de Gaveta é a vontade de poder se expressar”, enfatizou Celso Eluan.
Quem esteve na platéia pode conhecer um pouco mais do grupo e relembrar cenas da Belém nos anos 80. “Gostei muito de participar desse encontro porque acabei lembrando de coisas muito boas que vivemos nos anos 80. Naquela época, as pessoas, mesmo com medo da ditadura, parece que se expressavam mais e lutavam mais pelos nossos direitos de cidadania”, afirmou a assistente social Lizandra Soares.
Nesta sexta-feira (28), quem estará no Escritores Paraenses é a historiadora e artista visual Josette Lassance e a médica Jacqueline Darwich, às 17h30. Após a conversa com o público, elas autografam, respectivamente, as obras “Os cinco felizes”, “Imagens” e “O anjo nu”. A programação é aberta para todo o público da Feira, com entrada gratuita.
“Nós surgimos nos anos 80, na época do saudosismo. Tínhamos muita energia para gastar e resolvemos gastar toda essa energia estudando, lendo e fazendo poesia. Criamos um grupo poeticamente pesado”, disse o artista plástico Jorge Eiró. Ele contou ainda que o Fundo de Gaveta fez parte de um tempo em que havia na cidade um movimento cultural em ebulição, com a movimentação de bares antigos e o início das oficinas de Miguel Chikaoka. O grupo se reunia semanalmente para ler e discutir, poesias, artes plásticas, novos lançamentos e etc.
Depois da experiência cada um foi tomando seu rumo, mas, para Vasco Cavalcante, até hoje o grupo permanece. “Fazer poesia todos nós fazemos em algum momento. A poesia é a única coisa que pode responder o questionamento de ser ou não ser. Então, a sensação que temos é que o Fundo de Gaveta ainda está vivo, mesmo que seja na memória”, completou.
A primeira edição do Fundo de Gaveta foi feita em 1981. Com os eventos realizados pelo grupo, padrinhos e diversas coletas saíram os recursos para o projeto que fez com que os trabalhos literários virassem páginas de livros. “Fizemos o lançamento na Casa do Choro e as coisas fugiram ao controle. Havia os varais de poesia na praça do Carmo e na praça da República. Saía-mos com os envelopes debaixo do braço e a edição era graficamente tímida, até pelos poucos recursos", contou Eiró, um dos responsáveis pela produção gráfica da publicação.
Eles também relembraram a participação do “Movimento Açaí”, uma época em que a sociedade paraense tinha vontade de mostrar, falar e agir de uma forma que não podia ser feita no período da ditadura. “O que sai do Fundo de Gaveta é a vontade de poder se expressar”, enfatizou Celso Eluan.
Quem esteve na platéia pode conhecer um pouco mais do grupo e relembrar cenas da Belém nos anos 80. “Gostei muito de participar desse encontro porque acabei lembrando de coisas muito boas que vivemos nos anos 80. Naquela época, as pessoas, mesmo com medo da ditadura, parece que se expressavam mais e lutavam mais pelos nossos direitos de cidadania”, afirmou a assistente social Lizandra Soares.
Nesta sexta-feira (28), quem estará no Escritores Paraenses é a historiadora e artista visual Josette Lassance e a médica Jacqueline Darwich, às 17h30. Após a conversa com o público, elas autografam, respectivamente, as obras “Os cinco felizes”, “Imagens” e “O anjo nu”. A programação é aberta para todo o público da Feira, com entrada gratuita.
Texto:
Bruna Campos - Secom
Bruna Campos - Secom
Monday, September 24, 2012
a mensagem
alíneas
roxas
acenam para o azul
abelhas escrevem textos
aguas deslizam sobre seixos
e sob camas de folhas
na qual cubro os olhos
e firo teu sexo
brotam palavras esvernizadas
contas de terços poídos (o descaso)
amanhã talvez encontremos
razões perfumadas - velozes
vozes aprisionadas, pequenos cofres
envelopes coloridos
não será preciso
abri-los
abra você
seus sentidos
como roupas sujas
lançadas aos cestos
(incestos)
travesseiros
armadilhas
pré-textos
Tuesday, August 07, 2012
ilha da armadilha
na ilha
da armadilha
o silencio
é a primeira cilada
a prisão
que alimenta fios de músculos e ossos
poças de olhos
bolhas de óleos presas
a prisão
arquiva teu fígado,
pulmões, sobrancelhas
unhas com hematomas
aprisiona a tua fúria,
a rude palavra
no arcabouço
de tua fé-desdita
a prisão
debruça,
sobre fogueiras que queimam
a tua alma faminta-pequenina.
a liberdade aflita
na ilha,
a alma
sucumbe,
muitas das vezes
a um soco no estomago
a um beijo
de outra prisão,
talvez um doce aceno.
de sombras sobras
ácidas
uma gota de veneno
na tarde ensolarada
perfeita, agonizante
na ilha - o silencio
o meu o teu
oceano ...
da armadilha
o silencio
é a primeira cilada
a prisão
que alimenta fios de músculos e ossos
poças de olhos
bolhas de óleos presas
a prisão
arquiva teu fígado,
pulmões, sobrancelhas
unhas com hematomas
aprisiona a tua fúria,
a rude palavra
no arcabouço
de tua fé-desdita
a prisão
debruça,
sobre fogueiras que queimam
a tua alma faminta-pequenina.
a liberdade aflita
na ilha,
a alma
sucumbe,
muitas das vezes
a um soco no estomago
a um beijo
de outra prisão,
talvez um doce aceno.
de sombras sobras
ácidas
uma gota de veneno
na tarde ensolarada
perfeita, agonizante
na ilha - o silencio
o meu o teu
oceano ...
Saturday, June 30, 2012
O filho da poetisa com o vaqueiro de cartola
o menino
confortavelmente
monta seu cavalo
de miriti
Galopa
conexões
de rios afluentes
e campos que se perdem
no vazio da fartura
alimenta-se
do riso incontido
sorvendo
cada segundo dos ontem
adormecidos na sala
a poltrona aconchegante
amplia o pequeno aposento
há estrelas brilhando
no céu da memória
o menino
dorme,
percorrendo ruas infinitas
em alguma destas ruas
um vaqueiro de cartola e fraque
assovia uma canção noturna
o cavalo castanho garboso - relincha
parece uma noite
na ilha de bufalos sonolentos
que ensinam a oração paciente
sem pressa
da brisa roçando a alma
A poetisa segue
saltitante
declamando um poema
que diz de fumaça
saindo de um cigarro
O vaqueiro, de mãos e dedos longos
segura as rédeas do tempo
os dois estão felizes
ainda bem...
neste instante
o menino tateia sonhos
e rios ribeirinhos
balbuciando palavras
que saem pelo canto da boca
feito borboletas azuis
ainda bem...
confortavelmente
monta seu cavalo
de miriti
Galopa
conexões
de rios afluentes
e campos que se perdem
no vazio da fartura
alimenta-se
do riso incontido
sorvendo
cada segundo dos ontem
adormecidos na sala
a poltrona aconchegante
amplia o pequeno aposento
há estrelas brilhando
no céu da memória
o menino
dorme,
percorrendo ruas infinitas
em alguma destas ruas
um vaqueiro de cartola e fraque
assovia uma canção noturna
o cavalo castanho garboso - relincha
parece uma noite
na ilha de bufalos sonolentos
que ensinam a oração paciente
sem pressa
da brisa roçando a alma
A poetisa segue
saltitante
declamando um poema
que diz de fumaça
saindo de um cigarro
O vaqueiro, de mãos e dedos longos
segura as rédeas do tempo
os dois estão felizes
ainda bem...
neste instante
o menino tateia sonhos
e rios ribeirinhos
balbuciando palavras
que saem pelo canto da boca
feito borboletas azuis
ainda bem...
Saturday, April 28, 2012
MONSOON
at the
beginning, middle and
end
on the one endless stowage
shrouded by rain
constant in the morning
or afternoon?
inhabiting
face to face
truth and falsehood
all hours ...
a smile to another
to play pyre of cowshed
sometimes
go hand in hand
wordless
without passports
no earrings and bracelets
without the carmine lipstick
only at a ring
hidden in the palm of your hand
there is no border
preventing
the dance of seduction
why offer their skills
(in) perfect, past tenses
sometimes confuse
Like the rare calm complexion
by human traits
are like Trojan horses
appear in the garden at night
and remain
unexpectedly
fast in dreams
and vanilla ice cream
in the summer sun
die for them
prepared traps
killed
poisoned rivers
contained in the silence
prisoner of recent lessons
sheets soaked in divine
are friends
male
female
through the open doors
by
princesses
beggars
coastal roads
surrounding life
life
life
eager
ladies
impulsively living
on the one endless stowage
shrouded by rain
constant in the morning
or afternoon?
inhabiting
face to face
truth and falsehood
all hours ...
a smile to another
to play pyre of cowshed
sometimes
go hand in hand
wordless
without passports
no earrings and bracelets
without the carmine lipstick
only at a ring
hidden in the palm of your hand
there is no border
preventing
the dance of seduction
why offer their skills
(in) perfect, past tenses
sometimes confuse
Like the rare calm complexion
by human traits
are like Trojan horses
appear in the garden at night
and remain
unexpectedly
fast in dreams
and vanilla ice cream
in the summer sun
die for them
prepared traps
killed
poisoned rivers
contained in the silence
prisoner of recent lessons
sheets soaked in divine
are friends
male
female
through the open doors
by
princesses
beggars
coastal roads
surrounding life
life
life
eager
ladies
impulsively living
Thursday, April 05, 2012
monção
no inicio, meio e fim
sobre aquela estiva infinita
encoberta pela chuva
incessante da manhã
ou da tarde?
habitam
frente a frente
a verdade e a mentira
todas as horas...
sorriem uma para outra
brincam de pira maromba
algumas vezes
caminham de mãos dadas
sem palavras
sem passaportes
sem brincos e pulseiras
sem o batom carmim
apenas com um anel
escondido na palma da mão
não ha fronteiras
que impeçam
a dança da sedução
pela qual oferecem seus dotes
(im)perfeitos, pretéritos
algumas vezes confundem
pela rara semelhança da tez serena
pelos traços humanos
são como cavalos de troia
aparecem no jardim pela noite
e assim permanecem
inesperadamente
em sonhos velozes
como sorvete de baunilha
no sol de verão
por elas morremos
seduzimos
matamos
envenenamos rios
no silencio contido
prisioneiro de lições recentes
embebidas em lençóis divinos
são amigas
macho
fêmea
pelas portas abertas
por
princesas
mendigas
estradas litorâneas
que circundam a vida
a vida
a vida
ávidas
divas
impulsivamente vivas
sobre aquela estiva infinita
encoberta pela chuva
incessante da manhã
ou da tarde?
habitam
frente a frente
a verdade e a mentira
todas as horas...
sorriem uma para outra
brincam de pira maromba
algumas vezes
caminham de mãos dadas
sem palavras
sem passaportes
sem brincos e pulseiras
sem o batom carmim
apenas com um anel
escondido na palma da mão
não ha fronteiras
que impeçam
a dança da sedução
pela qual oferecem seus dotes
(im)perfeitos, pretéritos
algumas vezes confundem
pela rara semelhança da tez serena
pelos traços humanos
são como cavalos de troia
aparecem no jardim pela noite
e assim permanecem
inesperadamente
em sonhos velozes
como sorvete de baunilha
no sol de verão
por elas morremos
seduzimos
matamos
envenenamos rios
no silencio contido
prisioneiro de lições recentes
embebidas em lençóis divinos
são amigas
macho
fêmea
pelas portas abertas
por
princesas
mendigas
estradas litorâneas
que circundam a vida
a vida
a vida
ávidas
divas
impulsivamente vivas
Sunday, February 12, 2012
meditação no tombadilho
São muitas rotas perdidas
para encontro de novas
canções e surpresas
é preciso perder-se
nesta viagem silenciosa
que o mar impõe
Herculano sabe disso...
por isso
suas mãos crescem
permitem sensações
desconhecidas
na solidão do tombadilho
o menino dorme
adormece na voz
do pai distante
Herculano sabe disso ...
sente medo
do que não sabe
do que não pede
do que não fica
do que não perde
tira do bolso
embalagem azul
sua gaita yamaha
e o pensamento
imponderalvelmente dança
amoldasse ao som
noturno
são gaivotas plainando
na luz prateada da lua
imagem
Herculano sabe disso...
para encontro de novas
canções e surpresas
é preciso perder-se
nesta viagem silenciosa
que o mar impõe
Herculano sabe disso...
por isso
suas mãos crescem
permitem sensações
desconhecidas
na solidão do tombadilho
o menino dorme
adormece na voz
do pai distante
Herculano sabe disso ...
sente medo
do que não sabe
do que não pede
do que não fica
do que não perde
tira do bolso
embalagem azul
sua gaita yamaha
e o pensamento
imponderalvelmente dança
amoldasse ao som
noturno
são gaivotas plainando
na luz prateada da lua
imagem
Herculano sabe disso...
Sunday, February 05, 2012
Lembranças
os olhos voam ao vento
flutuam como maças
mordidas
na boca profunda - a espera
pela segunda dentada
lembranças e pesadelos
asfixiam
como palavras em novelo
tarrafas
os olhos
umedecidos,
bebem lágrimas,
festejam de forma comedida
no riso sorrateiro
do ancião distante
vejo suas mãos poderosas
adornando a bengala
do vício
o fumo da noite
acariciando
paralepípedos
interligados na cor cinza
ainda assim
o asfalto
esconde as pegadas
do menino urbano
e as folhas amareladas
das mangueira seculares
transitam suas perplexidades
no outono das ruas
flutuam como maças
mordidas
na boca profunda - a espera
pela segunda dentada
lembranças e pesadelos
asfixiam
como palavras em novelo
tarrafas
os olhos
umedecidos,
bebem lágrimas,
festejam de forma comedida
no riso sorrateiro
do ancião distante
vejo suas mãos poderosas
adornando a bengala
do vício
o fumo da noite
acariciando
paralepípedos
interligados na cor cinza
ainda assim
o asfalto
esconde as pegadas
do menino urbano
e as folhas amareladas
das mangueira seculares
transitam suas perplexidades
no outono das ruas
Subscribe to:
Posts (Atom)





