Sunday, April 03, 2011

snaking

attendant
be loved
before to be
serpent

hair brush
without comb
that windmills
powerless

weave braids
transcendent

whistles
curves
bellies
thighs

permanently

well Alice 3D
permanently

letters minds tales
asleep
the bunny suit and top hat
absent in the arms of hatter

Friday, April 01, 2011

serpenteando

servente
ser ente
antes de ser
serpente

escovar cabelos
sem pente
que moinhos de vento
impotentes

tecem tranças
transcendentes

assobios
curvas
ventres
coxas

permanentemente

assim Alice em 3D
permanentemente

cartas contos mentes
adormecendo
o coelho de terno e cartola
nos braços do chapeleiro ausente

Saturday, March 26, 2011

negando

hoje entendo Pedro
ontem também...

o de sempre na manhã cinza

no eter
do eu
eterno

a alma

o fruto das raizes
que o corpo
capta

embora
a rua felina
farta
repouse a rosa
sob as mãos
de kafta

a casca

lençol lilás
na porta aberta prata
silencie nós (moedas)

que o eco da tua voz
exalta

respostas
que nas paredes do desfiladeiro
o destino
grafa

Tuesday, March 08, 2011

uma outra superfície


sempre haverá um lugar

aonde não saberemos respirar


peixes , homens , aves


fugiremos ou não deste fato

perplexos ou aprendizes

subordinados ou livres


peixes, homens , aves


soluçando queixas, desterrados

improdutivos ou imortalizados

cheirando uma boa chícara de café ou de chá

na porta da tua ou da minha Igreja


há os que pensam que sabem ,

pensam que respiram todos os ares

libélulas dançando na frente dos sapos


peixes, homens , aves


sempre haverá um lugar...ou alguém

Monday, March 07, 2011


O Farol distante,quase não é percebido. Herculano é comandante experiente, sabe das coisas do rio (mar eterno mar ). Hoje navega um navio fatasma, cheio de ausência. Seu olhar esta fixo no tempo que as ondas conduzem. O vento diz de tempestades, balança vozes em seu peito cheios de medalhas. Os medos foram todos naufrágios esquecidos. Herculano é um bom marinheiro ... mas para muitos não conta. Sua bussola tem nome restrito, sabedoria -nada pode intimidar Herculano , assim dizem seus cabelos brancos. Seu braço direito traz inscrições , mensagens de um estranho alien que viajava em uma capsula hermética - " I want to tell you" - Há uma petála de rosa vermelha , equilibrando no ombro esquerdo de seu uniforme surrado. Os porões contem segredos de silencios contidos - manhãs sem tormentas. Herculano é filho do seu Manduca e de Dona Iara. Manduca, velho pescador das entrelinhas dos peraus e currais (sentinelas nas curvas do rio) - Manduca já não está entre nós , nem Dona Iara - agora ela declama seus poemas pelas noites de verão de um outro Marajó. Saudades de Manduca e de Iara permeiam as recordaçoes de Herculano. O Comandante agora também timoreiro , escuta as vozes noturna dos botos e boiúnas encantadas. Agora Herculano ouve um som diferente, que ecoa em sua cabine - É uma canção que diz o seguinte : " life is very short and there´s no time for fussing and fighting my friend .. " O farol continua em sua distância insondável .

Saturday, January 22, 2011

Gato e Cão


Rua Infinita

Início de tudo, Gardan caminha por entre o fascinante túnel de mangueiras perfiladas, seculares, sempre como quem observa o inesperado e ao mesmo tempo desconfia silenciosamente do que vê. A grandiosidade destas arvores conferem ao ambiente, uma contemplativa solidão. Bela catedral com seus vitrais invisíveis. O sombreamento entrecortado por filetes de luz, invoca uma prece. Gardan flutua perplexo, encantado com a leveza do lugar.
Lentamente cruzando seu caminho, um pequeno gato cinza com listas brancas. Passos trôpegos. Quem sabe nasceu recentemente? Emite um sonoro miado que ecoa estilhaçando o silêncio antes impenetrável. Gardan observa surpreso, mas prontamente recupera o equilíbrio. Sente um desejo quase incontrolável de querer ajudar, tão desprotegido ser. Recua, sente um medo aterrador, algo o impede deste ato. A razão de Gardan fala mais alto Algo lhe diz que em algum lugar já havia visto esta indefesa criatura., ou quem sabe em futuro próximo voltaria vê-lo . Logo em seguida uma figura de olhar penetrante surge do nada, para e fixa por um lapso de tempo o olhar em Gardan. Com a mesma rapidez que apareceu, seguiu em perseguição ao pequeno gato. Era um enorme cão negro que surgiu das sombras eternas do tempo . Uma voz quase inaudível, diz de uma canção que poderá, sem que isso fosse vontade, causar imensa tristeza a Gardan. A canção saiu rodopiando lentamente, como uma rosa no vento...

Saturday, January 15, 2011

Orantes ou meras palavras?

orantes-são nestos
funestos fados e drões
drões sonestos sons
fartos rios-de orações

Monday, January 10, 2011

"Deus Proverá"


O viver é preciso navegando por sobre as ondas de sonhos do rio mar. Vamos em busca da surpreendente gentileza , que chega na tarde-noite chuvosa. A ilha espreita, a espera de passos urbanos para que possa lançar suas redes serenas de cordialidade.
E os homem pescadores, vaqueiros , artesões sorriem com suas faces morenas , brilhantes como a superfície prateada do Paracauary. Sem que sejamos capazes do perceber a magia, o encantamento aflora e perpetua a sua fome de almas estressadas pelos ares de outras terras além ilha. O tempo é o amigo de todos os oriundos marajoaras,ali, por debaixo das mangueiras seculares não há cobrança alguma, os homens são meninos e meninas colhedores de mangas, carambolas, sapotilhas e amorosidade. Como morcegos diunos passam por entre as folhagens da diversidade infinita. Sou amigo do bufalo, da chuva , do rio remanso que agora abrigo em mim.
As amizades chegam mansamente (novas sementes) sem que possamos virar os rostos e partir serenamente. É o inevitável prevalecendo por sobre nosso orgulho de pobres mortais.Então chegam o Edgar das Vans branca e Vermelha, Nello (primo napolitano, que possui um coração do tamanho do Casarão da Amazônia)André e esposa derramando simpatia e generosidade, a Sueli Valades que veio de tão longe dividir sua alegria (in)contida nos passos do carimbó, a Rosa do bolo maravilhoso e seu sorriso cativante, do José Carlos o Gerente amigo e prestativo,do taxista Claudio "O paciente Marajoara", do Caboclo Vaqueiro que vigiava nosso sono e sonhos, do diluvio circunscrito por baratas dágua , besouros, grilos falantes e tamanduás perdidos na noite de aventura. Algumas vezes fomos esquecidos pelo barqueiro Ivoneti e o taxista Codorna, mas como amar é nunca ter quer pedir perdão, apenas agradeço pela oportunidade bendita de conhece-los. Conhecer pessoas maravilhosas, como as que conheci nesta viagem mágica, é uma forma poderosa de oração.

Saturday, October 16, 2010

o outro lado da maçã

ha
via

o nada,
soprando o barro

via
ver
ado

via
ser
eva

via
ter
sal

ha
via

o sonho ,
moldando a vida

via
ter
sol

via
crer
mais


ha
vendo

os homens,
criando um rosto

desfigurando,
a própria sorte

vai
retornando

na contramão

via
de regra

Saturday, September 04, 2010

meditação

oculto
nozes e lentilhas
em prateleiras perpétuas

talvez a fome chegue
quando as folhas de outono sumirem

as vozes
foram também encapsuladas
em cilindros herméticos

da cor do titânio

o silencio - o mudo medo do dizer
a paz que não soletra

a tarde casual aceitando o horizonte
repleto de andorinhas ligeiras

fico assim...

observando o nó górdio
na escolha da lâmina apropriada

Sunday, July 18, 2010

contornos da maçã


o ar
raro
e feito

dilarecera
acelera
articula

curvas
cotornos

blusas
abertas

e derrepente
o canto,
o pranto favorece

quando a mancha azul
ilumina,
semáfaros
uteros
clones
ovelhas

na passagem estreita
da ampuleta,
universos
viagens

sem a rima
sem a rima

da foto da maçã
e sua boca desfeita

Saturday, May 01, 2010

A Temperança


O Tempo dentro do silencio - pacificamente

aguarda o desabrochar da flor do benefício

emoldurando a perenidade da delicadeza


Somente o tempo aponta - não o dedo em riste

mas o olhar longinquo, quasímodo da sabedoria


talvez a eternidade beije os pés do tempo

talvez não - talvez o etenamente soluçe

estórias distantes - folhas do outono sopradas

Tuesday, February 16, 2010

Grilos




É preciso amar os grilos.


escuta-los


sons, avisos




que sorrateiramente penetram


nossos sentidos.




È preciso amar


remeter nossos sonhos urbanos


além de trincheiras criadas ao longo dos anos


e assim despertar, caminhos repletos de sinos




a tarefa é saber traduzi-los (Grilos)


em canções de ninar que adormeçam anciões, feito meninos.






descansar a cabeça na pluma


viajar,


ouvi-los,


além das resposta do vinho,


para então assim, perder o controle sobre o que sentimos.

Sunday, December 27, 2009

o silenciar da chuva


A chuva diminui, silencia. A melancolia desaparece e o céu ganha a cor das novas luzes. Os urubus rodopiam , no circulo da ritual procura. Talvez Gardan aprenda um pouco mais com essas aves de rapina, dentro da ocasião oportuna, no exato momento do saciar a fome. A fome do revitalizar sonhos, do possuir desejos latentes. A razão do existir por existir um objetivo - atravessar o rio . Será necessário voltar o rosto para aquilo que não se quer ver(ver-se) e quem sabe assim , ter o dominio da travessia?

O porto segue em linha reta na direção oposta ao rio. Outra direção? Principio ou fim? O rio será a rua ou a rua apenas um nome dado ao rio? Não importava, Gardan sempre possuiu em seu intimo de eternidade a vontade plena de conhecer o que havia no fim daquela rua. era tempo de descobrir segrêdos. O que haveria no fim desta rua infinita? Infinito será algo que nossa visão curta não alcança? Antes de atravessar o rio, talvez seja necessário comer a poeira desta longa estrada e conquistar conhecimento que poderão ajudar futuramente(futuro?). Gardan então viajou no pensamento, sentindo no jovem rosto a brisa suave da esperança.

Wednesday, December 16, 2009

o ver da idade, na verdade

mesmo
que fale
a
verdade

pareço
que
falo mentindo

mesmo
que
esteja
mentindo

pareço
que
falo
a verdade

Tuesday, December 15, 2009

o velho búfalo


A chuva fina lentamente abraçava a primeira rua da cidade, folhas verdes , luz do Sol , mistura perfeita na manhã marajoara - casamento da raposa diria minha mãe . Neste cenário surreal o velho Búfalo não percebeu a presença daquele estraho menino. Gardan observou aquele enorme ser, deitado embaixo da frondosa mangueira. Sem muita cerimônia, foi logo perguntando - Bom dia amigo! por acaso com todo este ar de sabedoria poderia dizer-me de que maneira posso alcançar a outra margem daquele rio? E com seus dedos longos apontou na direção do rio. O velho búfalo virou lentamente mastigando um punhado de grama, lançou um manso olhar para Gardan e manteve o silencio pertubador dos quem conhece os ansiosos. Gardan insistiu - Grande senhor da verdade eterna, não estás levando muito a sério minha pergunta? O velho búfalo impertubável, sorriu e respondeu : Como você quer conhecer o outro lado do rio, se nem ao menos tentou ser livre do vosso pesadêlo? Da prisão que é a vossa curiosidade? Respondeu e levantou , saindo lentamente como quem estivesse passeando e uma manhã de Domingo. Gardan sorriu, mas chorou um chorar triste de prisioneiro.

Sunday, October 25, 2009

abaixo da linha do equador


o pó do poema

o poeta afasta

tece, destece

o poeta não peca

o poeta apenas verseja,

de forma (in)correta

Sunday, September 20, 2009