oculto
nozes e lentilhas
em prateleiras perpétuas
talvez a fome chegue
quando as folhas de outono sumirem
as vozes
foram também encapsuladas
em cilindros herméticos
da cor do titânio
o silencio - o mudo medo do dizer
a paz que não soletra
a tarde casual aceitando o horizonte
repleto de andorinhas ligeiras
fico assim...
observando o nó górdio
na escolha da lâmina apropriada
Saturday, September 04, 2010
Sunday, July 18, 2010
contornos da maçã
Saturday, May 01, 2010
A Temperança
O Tempo dentro do silencio - pacificamente
aguarda o desabrochar da flor do benefício
emoldurando a perenidade da delicadeza
Somente o tempo aponta - não o dedo em riste
mas o olhar longinquo, quasímodo da sabedoria
talvez a eternidade beije os pés do tempo
talvez não - talvez o etenamente soluçe
estórias distantes - folhas do outono sopradas
Tuesday, February 16, 2010
Grilos
É preciso amar os grilos.
escuta-los
sons, avisos
que sorrateiramente penetram
nossos sentidos.
È preciso amar
remeter nossos sonhos urbanos
além de trincheiras criadas ao longo dos anos
e assim despertar, caminhos repletos de sinos
a tarefa é saber traduzi-los (Grilos)
em canções de ninar que adormeçam anciões, feito meninos.
descansar a cabeça na pluma
viajar,
ouvi-los,
além das resposta do vinho,
para então assim, perder o controle sobre o que sentimos.
Sunday, December 27, 2009
o silenciar da chuva
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A chuva diminui, silencia. A melancolia desaparece e o céu ganha a cor das novas luzes. Os urubus rodopiam , no circulo da ritual procura. Talvez Gardan aprenda um pouco mais com essas aves de rapina, dentro da ocasião oportuna, no exato momento do saciar a fome. A fome do revitalizar sonhos, do possuir desejos latentes. A razão do existir por existir um objetivo - atravessar o rio . Será necessário voltar o rosto para aquilo que não se quer ver(ver-se) e quem sabe assim , ter o dominio da travessia?
O porto segue em linha reta na direção oposta ao rio. Outra direção? Principio ou fim? O rio será a rua ou a rua apenas um nome dado ao rio? Não importava, Gardan sempre possuiu em seu intimo de eternidade a vontade plena de conhecer o que havia no fim daquela rua. era tempo de descobrir segrêdos. O que haveria no fim desta rua infinita? Infinito será algo que nossa visão curta não alcança? Antes de atravessar o rio, talvez seja necessário comer a poeira desta longa estrada e conquistar conhecimento que poderão ajudar futuramente(futuro?). Gardan então viajou no pensamento, sentindo no jovem rosto a brisa suave da esperança.
Wednesday, December 16, 2009
o ver da idade, na verdade
mesmo
que fale
a
verdade
pareço
que
falo mentindo
mesmo
que
esteja
mentindo
pareço
que
falo
a verdade
que fale
a
verdade
pareço
que
falo mentindo
mesmo
que
esteja
mentindo
pareço
que
falo
a verdade
Tuesday, December 15, 2009
o velho búfalo
A chuva fina lentamente abraçava a primeira rua da cidade, folhas verdes , luz do Sol , mistura perfeita na manhã marajoara - casamento da raposa diria minha mãe . Neste cenário surreal o velho Búfalo não percebeu a presença daquele estraho menino. Gardan observou aquele enorme ser, deitado embaixo da frondosa mangueira. Sem muita cerimônia, foi logo perguntando - Bom dia amigo! por acaso com todo este ar de sabedoria poderia dizer-me de que maneira posso alcançar a outra margem daquele rio? E com seus dedos longos apontou na direção do rio. O velho búfalo virou lentamente mastigando um punhado de grama, lançou um manso olhar para Gardan e manteve o silencio pertubador dos quem conhece os ansiosos. Gardan insistiu - Grande senhor da verdade eterna, não estás levando muito a sério minha pergunta? O velho búfalo impertubável, sorriu e respondeu : Como você quer conhecer o outro lado do rio, se nem ao menos tentou ser livre do vosso pesadêlo? Da prisão que é a vossa curiosidade? Respondeu e levantou , saindo lentamente como quem estivesse passeando e uma manhã de Domingo. Gardan sorriu, mas chorou um chorar triste de prisioneiro.
Sunday, October 25, 2009
Sunday, September 20, 2009
Saturday, September 05, 2009
Saturday, August 08, 2009
a grande arvore da espera
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seresfera
sempresperar
esperar, errar
sempre esfera
esperar
o pranto
como flor na terra
esperar
percorrer o olhar
ao longo do caule, no corrego das chuvas
será?
lançar razões
nas entranhas da terra
penetrar
esperar sempre
esperar
arar preparar
germinar?
sempre esperar
buscar, duvidar,
calar na boca a palavra
(sufocar)
esperar
tecer o tempo ,
sempre - o dia de perdoar
recriar,
a hora H
Friday, May 01, 2009
O primeiro dia segundo Gardan
A noite não foi tão longa, como todas as noites em que o sono é profundo e a alma agasalha o coração menino no colo do tempo.
Quando o dia chega, acompanhando luzes , pássaros aquáticos e peixes alados fazem a festa da serenidade. Ao pé da frondosa mangueira, olhos negros acordam e vislumbram pela primeira vez, o reflexo que a luz do sol desenha na superficie tranquila do belo rio.
O atonito menino espreguiça a incredulidade , fitando surpreso a outra margem do rio pleno de fertilidade. Desce a ribanceira extasiado e o silencio toma conta do todo. Tenta ajoelhar para tocar restos de remanso aparente do rio, quando surpreendentemente um grande peixe prateado salta espalhando agua e sementes. " O que importa essa saudade principe azul, se nem ao menos você conhece a outra margem deste tortuoso rio?" Gardan abre seus enormes olhos negros e responde em puro reflexo - " Grande peixe prateado, sinto saudade do que não conheço e do que me espera. Aguardo o momento oportuno, a maneira correta de atravessar o rio, necessito urgente de ajuda". Foi apenas o tempo do salto e a poderosa queda n'agua - e o silencio se fez brisa como o açoite na mão do verdugo. Gardan chorou e depois sorriu, um sorriso pleno de saudade.
Foram dez longos dias - nada além rio, nada além correnteza , apenas o receio do desconhecido.
" Sera nescessário descobrir os caminhos que a velha cidade disponibiliza, antes mesmo de tentar atravessar o poderoso rio?" pensou Gardan.
Tuesday, April 21, 2009
no caminho da espera
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E o verão não vem,
basta-me a chuva fina...
O que amedronta? A incerteza do inatingível encontro?
A porta está aberta, não existem trancas.
Apenas o vento acaricia minha cabeleira branca.
Dedos longos (bilros) tecem rendas com palavras.
Assim espero, pois frequento diariamente teu jardim - a fome de pétalas rubras,
faz do jardineiro um colecionador de sementes.
A canção do visitante embala agora a minha/tua rede vazia.
Sunday, April 12, 2009
O Nascimento de Gardan
No entardecer de um dia diferente, luzes douradas
despejam uma canção de boas-vindas
próximo a garganta infinita do Paracauary...
São sementes de esperança em permanente flutuar sobre aguas límpidas.
Talvez adivinhem que serão outros os caminhos em busca de lições perenes.
Da janela do velho casarão olhos curiosos espreitam três estrelas que surgem repentinamente, acima da vizinha cidade.
E a estrela do meio diz, através de um sussurro penetrando frestas - janelas, separando inocentes meninos no fim da tarde:
“como são velozes os minutos na noite que pretende ser eterna, abriga sonhos, felizes momentos em que a fantasia canta uma canção bem-vinda. Ali estarei esperando, feito luz, escondido nos escaninhos de teu sorriso Monalisa.
Acolhe-me agora, não hesita, o tempo é o imperador da vida.Lembra das àguas límpidas, aquelas que cruzaram os rios na livre manhã despercebida .
Oportunamente estarei dizendo de tempestades em teus ouvidos - o beijo silencia - longe a saudade permanecerá, caindo lentamente, pelo fio de areia fina da ampulheta.”
Assim nasceu Gardan aos 10 anos, ao pé solene de uma frondosa mangueira - fruto de uma experiência inusitada na busca pelo conhecimento entre as margens de um estranho rio.
" As luzes do universo douram as asas graciosas das garças brancas, uma a uma sincronizam o vôo no caminho inicio fim da manhã diferente. Acordam de um sonho que não são dos homens."
Friday, March 13, 2009
Haja(in)
(in) veja
aja (in)
uma vez,
que a tempestade cega
apedrejando ,
a imagem noturna
buraco negro - que o teu espelho quebra
doma,
o indomável leão
que te aprisiona
ressucita,
pois a tua alma implora
a fenda entreaberta
no sepulcro
neste pequeno (eu) mundo - mudo
crucificas
na distância,
as ovelhas desgarradas
sou o rio
contido em tua barragem
silenciando o agora farto ódio
medita , abre as comportas
pois o silencio é a voz do tempo
Monday, March 09, 2009
uma canção do sair
Sunday, March 01, 2009
aguas
cortinas da limpeza viva
não são grades, não te aprisonam - libertam a alma
liquifazendo os sonhos malditos...
o lenço da saudade mítica
desbloqueia - a flor da psique
e os nossos pássaros brancos ganham o céu
famintos da luz
ainda existe a dúvida
pois o emocional canta uma canção felina
por entre o bambuzal terreno - raízes
mas, por um minuto
o tapete mágico deixa de conduzir a silenciosa razão
We are the same boat shipping on the river alone
Você é você
Olhe no espelho
Será que o teu reflexo insinua o que transparece ?
Somos parte do mesmo rio – navegando sozinhos
Nem tão profundo , nem tão raso – nem tão pouco superfície
Você é Você
Solidão que te aprisiona
Algemas de aço – fitas de fragilidade
Ainda assim, encontrarás perdão na minha culpa
E a liberdade, tua companheira
Estará sorrindo no desfiladeiro oculto – o ósculo íntimo na alvorada
Você é você
Herói transmutando-se em máscaras e mariposas cinzas – fantasmas
A marca indelével no rosto secular da eternidade
Ainda assim, nós teremos um encontro marcado
tempo - apenas uma porta aberta a procura da margem absoluta
Você é você
Combatendo nossos medos
Na felicidade de teus olhos castanhos semicerrados,
Sabedores de que o vento sopra a poeira da sabedoria – apesar do fog Londrino
Juntamente com a misericórdia , chega a brisa do teus sussurros inaudíveis
tocando profundamente o largo de um homem aprendendo
a hora exata de silenciar , convidando o menino a também ser parte
do todo , do nada, da vida
Friday, October 12, 2007
a canção perene do homem da calça azul

a velocidade cerca os passos, pesa
na hora que o tempo urge, canção da verdade
e a verdade nasce esquecida,
pois não há ouvidos alertas
para quando a folha sente o vento
e sai a procura do tempo...
a calça azul balança no varal da vida , hiberna
tal qual a biruta apontando a direção de um olhar
no infinito - homem emoldurado na janela , solicita
pois a calça azul vazia,
abraça o vento - estabelece regras
uma vez que o homem nu, sente a medida certa, que limita
pois o navegador - sonha com a passagem estreita
a passagem estreita
impermanente sopro de velas e fitas
aquecendo a verdade (no útero da espera)
assim azul, a calça
levita
Wednesday, August 08, 2007
passagem
muros
a linha lavadas palavras (grafitos)
predizem sentenças - avisos afixados
nas cavernas - morcegos
são explosões de vertiginosas mensagens
o teu coração ainda é puro?
a chuva - lava o olhar atento
no salpicar de gotas
que leva mansamente, o barco de papel
muros
manuscritos
afixadas mensagens
viajam - nos barcos de papel
o vento, a chuva, a poça d'agua,
as pegadas - o nada eternamente
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